Quão progressistas são as teorias deliberativas da democracia? Limites e deficiências

Autores

Palavras-chave:

Deliberacionismo. Democracia. Habermas. Rawls.

Resumo

O presente artigo busca contextualizar brevemente duas das mais proeminentes teorias deliberativas da democracia, sendo elas as desenvolvidas por John Rawls e Jürgen Habermas. Em seguida, questiona a real capacidade desses arranjos teóricos em combater relações de opressão vigentes - que é o que entende-se aqui por progressista. Apesar de propor a ampliação da participação na esfera discursiva visando consensos racionais desinteressados e, assim, fundar novas formas de sociabilidade através de um fazer político mais justo, inclusivo e equitativo, argumenta-se que as propostas intelectuais dos autores mencionados acabam por favorecer e mascarar perspectivas dominantes, dinâmica que prejudica grupos marginalizados cujas maneiras de expressão não se alinham aos padrões hegemônicos de racionalidade. Além disso, coloca-se que os modelos deliberativos de democracia exageram em sua recusa ao conflito e ao dissenso, elementos julgados como fundamentais para transformações políticas mais impactantes. Sendo assim, defende-se que há um conservadorismo subjacente permeando tais teses, tornando-as menos capazes de atacar as relações de dominação existentes, ou seja, limitando seu caráter pretensamente progressista.

Biografia do Autor

Vinícius Defillo Pintor, Universidade Federal do ABC (UFABC)

Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Também é Bacharel em Ciências e Humanidades (2018), Filosofia (2022) e licenciado em Filosofia (2019) pela mesma instituição. Foi coordenador da Escola Preparatória da UFABC e atualmente trabalha no SENAC São Bernardo como docente da disciplina Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. É membro dos grupos de estudos "Imagem e Subjetividade" e "DelGua - UFABC".

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Publicado

2026-01-10

Como Citar

PINTOR, V. D. Quão progressistas são as teorias deliberativas da democracia? Limites e deficiências. Kairós, Fortaleza, v. 21, n. 2, p. 396–419, 2026. Disponível em: https://www.ojs.catolicadefortaleza.edu.br/index.php/kairos/article/view/633. Acesso em: 28 maio. 2026.

Edição

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Artigos Varia