Quão progressistas são as teorias deliberativas da democracia? Limites e deficiências
Palabras clave:
Deliberacionismo. Democracia. Habermas. Rawls.Resumen
O presente artigo busca contextualizar brevemente duas das mais proeminentes teorias deliberativas da democracia, sendo elas as desenvolvidas por John Rawls e Jürgen Habermas. Em seguida, questiona a real capacidade desses arranjos teóricos em combater relações de opressão vigentes - que é o que entende-se aqui por progressista. Apesar de propor a ampliação da participação na esfera discursiva visando consensos racionais desinteressados e, assim, fundar novas formas de sociabilidade através de um fazer político mais justo, inclusivo e equitativo, argumenta-se que as propostas intelectuais dos autores mencionados acabam por favorecer e mascarar perspectivas dominantes, dinâmica que prejudica grupos marginalizados cujas maneiras de expressão não se alinham aos padrões hegemônicos de racionalidade. Além disso, coloca-se que os modelos deliberativos de democracia exageram em sua recusa ao conflito e ao dissenso, elementos julgados como fundamentais para transformações políticas mais impactantes. Sendo assim, defende-se que há um conservadorismo subjacente permeando tais teses, tornando-as menos capazes de atacar as relações de dominação existentes, ou seja, limitando seu caráter pretensamente progressista.
Citas
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Trad. de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo v. 1: fatos e mitos. Trad. de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
BENHABIB, Seyla. Sobre um modelo deliberativo de legitimidade democrática. In: MELO, Ruríon Soares; WERLE, Denílson (Orgs.). Democracia deliberativa. Trad. de Rúrion Melo e Denilson Luis Werle. São Paulo: Singular; Esfera Pública, 2007.
BETTINE, Marco. A Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas – Bases conceituais. São Paulo: Edições EACH, 2021.
COOK, Deborah. The Talking Cure in Habermas's Republic. New Left Review, London, n. 12, p. 135-51, 2001.
DOWNS, Anthony. Uma teoria econômica da Democracia. Trad. de Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.
DRYZEK, John. Deliberative democracy and beyond. Liberals, Critics, Contestations. New York: Oxford University Press, 2000.
GOMES, Luiz Roberto. O consenso na teoria do agir comunicativo de Habermas e suas implicações para a educação. 2005. 159 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.
HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Trad. de Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia. Entre facticidade e validade. Vol. I. Trad. de Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997a.
HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia. Entre facticidade e validade. Vol. II. Trad. de Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997b.
HABERMAS, Jürgen. Teoria do Agir Comunicativo. Vol. 1. Racionalidade da ação e racionalização social. Trad. de Paulo Astor Soethe. São Paulo: Martins Fontes, 2012b.
HABERMAS, Jürgen. Teoria do Agir Comunicativo. Vol. 2. Sobre a crítica da razão funcionalista. Trad. de Paulo Astor Soethe. São Paulo: Martins Fontes, 2012a.
MÁIZ, Ramón. Deliberación e inclusión en la democracia republicana. Reis: Revista Española de Investigaciones Sociológicas, Madrid, n. 113, p. 11-47, 2006.
MIGUEL, Luís Felipe. Consenso e conflito na democracia contemporânea. São Paulo: Editora Unesp, 2017.
MIGUEL, Luís Felipe. Democracia e Representação: Territórios em disputa. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
MIGUEL, Luís Felipe. Violência e Política. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 30, n. 88, p. 29-44, jun./2015.
MOUFFE, Chantal. Por um modelo agonístico de democracia. Trad. de Pablo Sanges Ghetti. Revista de Sociologia e Política, n. 25, p. 165-175, jun./2006.
RAWLS, John. O Liberalismo Político. Trad. de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo: Editora Ática, 2000.
RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Trad. de Almiro Pisetta e Lenita Esteves. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
SCHUMPETER, Joseph. Capitalismo, Socialismo e Democracia. Trad. de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1961.
YOUNG, Iris. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Trad. de Roberto Cataldo Costa. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 13, p. 187-212, 2014.
YOUNG, Iris. Inclusion and Democracy. Oxford: Oxford University Press, 2000.
YOUNG, Iris. Justice and the Politics of Difference. New Jersey: Princeton University Press, 1990.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Kairós: Revista Acadêmica da Prainha

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Según la licencia Creative Commons International 4.0, es posible:
1) Distribuir el material publicado en cualquier formato, siempre que los créditos de publicación y referencia sean debidamente otorgados a Revista Kairós.
2) Los derechos de autor de los artículos, reseñas y traducciones publicados son de Revista Kairós, así como los derechos de primera publicación.
3) Los autores que quieran publicar sus manuscritos publicados en Kairós en otros medios (capítulos de libros, por ejemplo), deberán remitirse debidamente a la primera publicación en Revista Kairós.
4) Los autores tienen pleno derecho a publicar sus manuscritos publicados en Revista Kairós en sus páginas personales, contanto que la revista sea mencionada.
Para consultar las disposiciones de la Licencia Creative Commons 4.0, acceda aquí.