Democracia: terá um futuro? Uma discussão sobre democracia representativa em Hannah Arendt
Palavras-chave:
Democracia. Representação. Republicanismo.Resumo
Considerando que atravessamos tempos de profunda desconfiança em relação a democracia, como também de desesperança em relação à política institucionalizada, esse artigo recorrerá à teoria da pensadora Hannah Arendt a fim de resgatar os princípios do Republicanismo. Embora a pensadora alemã não tenha se dedicado diretamente a essa temática em seus textos, entendemos que é possível vislumbrar na sua teoria remédios para que nossa democracia ainda tenha condições de contribuir para a construção de um mundo que é comum a todos os homens. Concordamos com Arendt ao defendermos que a representação política é um ganho para a humanidade. O que falta ao sistema representativo é ampliar a participação popular por meio de instâncias participativas menores que possam ter suas demandas encaminhadas a instâncias superiores. Dizendo de outro modo, acreditamos que um sistema não centralizado e não reduzido à burocracia partidária pode dar lugar a uma real democracia republicana.
Referências
AGUIAR, O. A. A dimensão constituinte do poder em Hannah Arendt. Trans/Form/Ação, Marília, v. 34, n. 1, p. 115-130, 2011.
ALMEIDA, R. A questão da constitutivo libertatis em Hannah Arendt: caminhos para o republicanismo federalista. 2020. 221f. Tese (Doutorado em Filosofia), Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2020.
ARENDT, H. Compreender: Formação, Exílio e totalitarismo. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Editora da UFMG,
ARENDT, H. Desobediência Civil. In: ARENDT, H. Crises da República. Trad. José Volkmann. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2017.
ARENDT, H. Entre o Passado e o Futuro. Trad. Mauro W. Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2014.
ARENDT, H. Pensar sem corrimão: compreender 1953-1975. Organização e apresentação Jerome Kohn. Trad. Beatriz Andreiuolo et al. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
ARENDT, H. Responsabilidade e Julgamento. Trad. Rosaura Eincherberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
ARENDT, H. Sobre a Revolução. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
CONSTANT, B. Da liberdade dos antigos comparada à dos modernos. In: Filosofia Política. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 9-25.
FRATESCHI, Y. Participação e liberdade política em Hannah Arendt. Cadernos de filosofia alemã, São Paulo, n. 10, p. 83-100, jul./dez. 2007.
HAMILTON, A; MADISON, J; JAY, J. O Federalista. Trad. Viriato SoromenhoMarques e João C. S. Duarte. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2011.
KALYVAS, A. Democracy and the politics of the extraordinary: Max Weber, Carl Schmitt, and Hannah Arendt. Nova York: Cambridge University Press, 2008.
KATEB, G. Arendt and representative democracy. Source, Salmagundi, v. 60, p. 20-59, 1983.
LOUREIRO, M. Interpretações contemporâneas da representação. Revista Brasileira e Ciência Política, Brasília, n. 1, p. 63-93, jan./jun.2009.
OLIVEIRA, J. Considerações arendtianas sobre a revolução húngara. Revista Reflexões, Fortaleza, ano 11, n. 21, p. 1-27, jul./dez. 2022.
PANCERA, G. Arendt e Maquiavel: fundação, violência e poder no pensamento republicano. Argumentos Revista de Filosofia, Fortaleza, ano 5, n. 9, p. 140-153, jan./jun. 2013.
PITKIN, H. El concepto de representación. Trad. Ricardo Montoro Romero. Madrid: Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, 1985.
PITKIN, H. Representação: palavras, instituições e idéias. Lua Nova, São Paulo, v. 67, p. 15-47, 2006.
ROCHA, L. A burocracia segundo Hannah Arendt. 2025. 381 f. Tese (Doutorado em Filosofia), Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025.
YOUNG-BRUEHL, E. Por amor ao mundo: a vida e a obra de Hannah Arendt. Trad. Antônio Trânsito; copidesque e preparação dos originais, Ari Roitman; revisão técnica, Eduardo Jardim. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1997.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Kairós

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
De acordo com a Licença Creative Commons International 4.0, é possível:
1) Distribuir o material publicado em qualquer formato, desde que os créditos de publicação e referenciação sejam devidamente dados à Revista Kairós.
2) Os direitos autorais sobre os artigos, resenhas e traduções publicados são da Revista Kairós, bem como os direitos de primeira publicação.
3) Os autores que queiram publicar seus manuscritos publicados na Kairós em outros veículos (capítulos de livro, por exemplo), devem referenciar devidamente à primeira publicação na Revista Kairós.
4) Os autores possuem pleno direito de divulgar seus manuscritos publicados na Revista Kairós em suas páginas pessoais, sendo recomendada à menção ao periódico.
Para conferir às determinações da Licença Creative Commons 4.0, acesse aqui.



