Sobre o eu em Hannah Arendt: pensamento, solidão e banalidade do mal
Palabras clave:
Eu. Solidão. Eichmann. Jaspers. Pensamento. Política.Resumen
Considerando a escassez de estudos que investiguem diretamente a constituição do Eu no pensamento de Hannah Arendt, especialmente no que diz respeito a relação entre subjetividade e política, objetivase examinar as especificidades do Eu arendtiano. Para tanto, procede-se por meio de uma análise das obras fundamentais da autora, partindo de sua crítica ao cogito cartesiano em direção a distinção entre solidão e isolamento, como modo de compreender a formulação da banalidade do mal diferenciando Eichmann de Jaspers. Como hipótese, o trabalho propõe que o Eu, em Arendt, é relacional e plural, constituindo-se no espaço público a partir da relação com os outros, ao aparecer no mundo através da ação e do discurso, mas que também necessita de uma interioridade privada que permite certo afastamento do mundo para um parar e pensar. Desse modo, observa-se que regimes totalitários, ao destruírem a espontaneidade e isolarem os indivíduos, rompem o vínculo do Eu consigo mesmo e com o mundo, produzindo uma solidão radical que torna possível a perda de si e facilitam a banalidade do mal. O que permite concluir que o pensamento — entendido como diálogo interior e forma de preservação ética — é a condição para a existência de um Eu que aparece e se responsabiliza pelo mundo. Ao iluminar a constituição do Eu em Arendt, abre-se um campo fértil para investigações contemporâneas sobre linguagem, responsabilidade e ação em contextos de crise democrática e ameaças totalitárias.
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