Considerações sobre as noções de trabalho, automação e alienação em Arendt

Autores/as

Palabras clave:

Trabalho. Automação. Alienação. Cibernetização.

Resumen

A temática da alienação é o fio condutor desta exposição. O que iremos chamar de alienação aqui tem a ver com as expectativas antigas e atuais de abolir o trabalho da condição humana, dos gregos até o recente fenômeno da automação e da cibernetização. Para articularmos a tríade trabalho, automação e alienação dividiremos esta exposição em três tópicos. Procuraremos, inicialmente, rastrear na bibliografia de Arendt o início de suas pesquisas sobre a categoria do trabalho, contextualizando o plano de fundo político desta investigação. Nesta contextualização inicial, indicaremos que a pesquisa parte de um diálogo com Marx, procurando dar conta da lacuna presente em Origens do totalitarismo. Essa lacuna consiste na ausência de tratamento sistemático dos elementos totalitários do bolchevismo/stalinismo, fato que justificaria a escrita de um segundo volume de Origens. Dado que a tese de Arendt é que o totalitarismo, cristalizado em duas formas de dominação, nazismo e stalinismo, representa uma ruptura na tradição política ocidental, e dado que tal ruptura precisou de elementos cristalizadores, num segundo momento procuraremos vincular as categorias trabalho e alienação na filosofia clássica, privilegiando a concepção aristotélica de trabalho, consoante a interpretação de Arendt. Por fim, indicaremos a urgência de se pensar a dignidade do trabalho frente ao moderno fenômeno da automação, que substitui a mão de obra humana pelas máquinas, que torna a condição do trabalhador cada vez mais precária e juridicamente insegura, e indicaremos, a título de conclusão, um fenômeno que Arendt encara como aterrador: a cibernetização como substituição, não só da mão de obra, mas da mente/espírito humana.

Biografía del autor/a

Francisco Jameli Oliveira Reinaldo, Universidade Federal do Ceará (UFC); Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC-CE)

Professor da rede estadual de ensino (SEDUC-CE) e doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Citas

AGUIAR, Odilio Alves; REINALDO, Francisco Jameli Oliveira. Trabalho e condição humana. Revista Iluminus, São Luis, v. 1, n. 1, p. 1-12.

ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014.

ARENDT, Hannah. Compreender: formação, exílio e totalitarismo (ensaios). São Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

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JAEGER, Werner. Paideia: a formação do homem grego. Trad. Artur M. Parreira, 2001.

PAREKH, Bhikhu. Pensadores políticos contemporáneos. Madrid: Alianza Editorial, 1982.

TOSI, Guiseppe. Aristóteles e a escravidão natural. Boletim do CPA, Campinas, n. 15, p. 71-99, jan./jun. 2003.

YOUNG-BRUEHL, Elisabeth. Por amor ao mundo: a vida e a obra de Hannah Arendt. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1997.

Publicado

2026-01-10

Cómo citar

REINALDO, F. J. O. Considerações sobre as noções de trabalho, automação e alienação em Arendt. Kairós: Revista Acadêmica da Prainha, Fortaleza, v. 21, n. 2, p. 41–54, 2026. Disponível em: https://www.ojs.catolicadefortaleza.edu.br/index.php/kairos/article/view/698. Acesso em: 28 may. 2026.

Número

Sección

Dossiê Nas Trilhas de Hannah Arendt