Tecnociência, Antropoceno e Presentismo: Arendt e os efeitos da moderna perplexidade de “agir na natureza”

Autores

Palavras-chave:

Hannah Arendt. Ação. História. Tecnociência. Presentismo. Antropoceno.

Resumo

O artigo analisa a perplexidade arendtiana decorrente de uma experiência central da modernidade com a capacidade humana para a ação: “agir na natureza”, ou seja, o entrecruzamento tecnocientífico entre natureza e história que encarnou a potência da ação para iniciar novos processos, mas deslocando o agir de sua esfera política originária. Quando natureza e ação passam a compartilhar a noção de processo como denominador comum, a ação perde sua capacidade de revelar e gerar sentido para a narrativa histórica, enfraquecendo o vínculo com a imortalidade e a necessidade da história. Em diálogo com outros autores e conceitos, o artigo analisa de que modo “agir na natureza” nos levou à seguinte perplexidade: ingressamos em um novo regime planetário (Antropoceno) no qual a humanidade se torna agente geológico, mais do que apenas agente histórico, historicizando e acelerando a natureza, enquanto a esfera histórico-política da ação humana se encontra atrofiada, bloqueada ou estagnada pelo predomínio de um regime de historicidade presentista.

Biografia do Autor

Rodrigo Ribeiro Alves Neto, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Professor Titular do Departamento de Filosofia da UNIRIO. Líder do Grupo de Pesquisa "Interfaces: técnica, arte e questões ético-políticas no pensamento filosófico" (UNIRIO-CNPq). Bacharel e Licenciado em Filosofia pela UFRJ (2000), Mestre em Filosofia pela UERJ (2002) e Doutor em Filosofia pela PUC-Rio (2007), com pesquisas de Pós-doutorado junto ao PPG em Filosofia da UFMG (2025) e de Capacitação junto ao PPG em Filosofia da UFRRJ (2019). Foi Professor Adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) de 2009 a 2012 e Professor do PPG em Filosofia da UFRN de 2010 a 2025. Autor de Alienações do Mundo: uma interpretação da obra de Hannah Arendt (São Paulo: Edições Loyola, 2009). Coautor e organizador das coletâneas Política, Direito e Economia no Século XXI (Rio de Janeiro: Via Verita, 2019) e Por que ler Hannah Arendt hoje? (Rio de Janeiro: Via Verita, 2022), dentre outros trabalhos e publicações voltados para as seguintes áreas de pesquisa: Filosofia Contemporânea, Filosofia Política Contemporânea, Filosofia da Tecnologia e História da Filosofia, com ênfase nas obras de Hannah Arendt e Martin Heidegger.

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Publicado

2026-01-10

Como Citar

ALVES NETO, R. R. Tecnociência, Antropoceno e Presentismo: Arendt e os efeitos da moderna perplexidade de “agir na natureza”. Kairós, Fortaleza, v. 21, n. 2, p. 200–229, 2026. Disponível em: https://www.ojs.catolicadefortaleza.edu.br/index.php/kairos/article/view/705. Acesso em: 28 maio. 2026.

Edição

Seção

Dossiê Nas Trilhas de Hannah Arendt